É visível que o primordial para o desenvolvimento de um país é a disponibilidade energética. O Brasil, apesar de estar um pouco aquém de uma situação de tranquilidade, tem melhorado muito nos últimos anos. No governo FHC, houve panes e racionamentos de energia e a situação começou a ficar catastrófica. Já no governo Lula, embora a demanda energética tenha sido bem maior, devido a crescente atividade industrial e ao maior consumo da população de baixa renda, não houve problemas como os encontrados anteriormente.
Atualmente, fala-se muito em energia sustentável, baseada na atual onda de conservação ambiental. Com isso a energia hidrelétrica e eólica estão em alta e antigas fontes de energia bastante utilizadas como o carvão vão sendo deixadas de lado. Nada disso parece ser muito diferente do que a mídia em geral propaga veemente. Mas como o nosso foco é totalmente diferente do usual, vamos falar de algo que os políticos tentam ocultar: A energia nuclear.
O Brasil possui atualmente duas usinas nucleares localizadas próximas à cidade de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro e uma em construção. Intituladas Angra 1, 2 e 3, elas provocam muita polêmica e comentários não muito pertinentes. O desastre de Chernobyl provoca arrepios em muita gente e por esse motivo alguns céticos defendem até a morte a não utilização dessa energia. Outros alegam ainda que esse potencial seria aproveitado na construção de uma bomba atômica.
Agora a explicação: Chernobyl possuía tecnologia infinitamente inferior a encontrada atualmente. As usinas de Angra são periodicamente revisadas, porém realmente o risco sempre vai existir. É tarefa da agência reguladora tornar esse risco o mínimo possível, até porque as usinas ficam entre as duas principais metrópoles brasileiras. Quanto à utilização na construção de uma bomba atômica, o urânio nesta é muito mais enriquecido que na utilização energética e seria necessário investimentos diferentes para a construção de uma bomba. Mas definitivamente o maior problema dessa matriz energética são os dejetos formados. Os lixos radioativos são em sua maioria armazenados e deixados de lado, com os devidos cuidados. No Brasil ainda não há reciclagem, afinal ainda estamos engatinhando nesse tipo de matriz, se comparado com os EUA ou à França.
ONGs que pretendem proteger o meio ambiente são, em sua maioria contra a energia nuclear, principalmente por conta desses dejetos. O Greenpeace, por exemplo, vive fazendo protestos e estimula milhões de pessoas a pensar o mesmo sem se comprometer em entender o funcionamento. O lixo atômico produzido pode ser armazenado em espaços relativamente pequenos e não possui danos ao meio ambiente, tais como outras fontes de energia. A hidrelétrica precisa inundar uma região imensa e altera todo um ciclo biológico da região. Já a eólica não é tão rentável e necessita do vento que nem sempre está disponível. A energia solar nem se fala, afinal é muito pouco rentável.
No âmbito político, a geração de energia é sempre um ponto de destaque. Quem acompanhou os debates eleitorais pode perceber que esse assunto é sempre tocado e comparações entre os governos do PT e do PSDB são sempre mensuradas. Mas longe disso, a energia nuclear é despercebida na política e todos os projetos que a privilegiam são criados a sete chaves. A única candidata que se declarou contra esse tipo de energia foi a Marina e mesmo assim de modo silencioso. O que sabemos é que o governo Lula foi importante nesse setor, já que efetivou a construção de Angra 3, mesmo que de modo lento e gradual.
O ponto que é alarmante é o quanto o Brasil produz pouca energia nuclear se comparado com as grandes potências globais. É visível que nós temos muito potencial para outras fontes de energia até mais rentáveis, mas opção nunca é demais. Afinal, se houver uma seca e afetar a produção de energia para onde vamos apelar? E se os ventos forem escassos e não derem conta da crescente demanda? Desse modo, o primordial é a maior atenção política para esse setor e o maior interesse da população em conhecer seus benefícios e malefícios. Afinal, nem sempre o Greenpeace está com a razão.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Novos caminhos
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