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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Transição necessária


Em 2002, quando Lula chegou ao poder presidencial, foi amplamente criticado por implantar o Bolsa Família, programa que atende mais de 12 milhões de famílias em todo território nacional atualmente e objetiva ajudar famílias necessitadas em todo o país, principalmente no eixo norte-nordeste. O ex-presidente garantiu muitos votos necessários a sua reeleição em 2006 e que foram essenciais para a popularidade jamais vista. No âmbito político a oposição que tanto criticou o programa no seu surgimento, começou a apoia-lo veemente de forma que o PSDB começou a acusar o programa de pouca abrangência nacional. É lógico que o candidato tucano percebeu que as suas chances de ganhar a última eleição presidencial não eram louváveis e tornaria o processo ainda mais difícil se não apoiasse o Bolsa Família.

Após o embate político, temos que perceber o que é melhor para o futuro do país, sem aquele discurso elitista de que o auxílio dado pelo governo é uma miséria, uma esmola. De fato, é muito pouco, mas para quem estava abaixo da linha da pobreza, sem nada para comer, o pouco pode ser essencial. E aquele discurso de que muitas famílias deixam de trabalhar para ganhar o dinheiro do programa se contradiz com o discurso anterior. Ora, se é muito pouco e não dá sequer para se alimentar, que pessoas são essas que preferem o ócio à família com o mínimo necessário para a sobrevivência? A verdade é que na maioria dos casos, o desemprego afeta essas famílias e o Estado entra com uma singela ajuda. Mas até quando?

Após o fim do governo Lula, os índices de pobreza abaixaram consistentemente e nada mais justo do que dar crédito ao programa tão criticado. Ele foi necessário em um primeiro momento como uma medida urgente. Passado esse momento, é visível que o ex-presidente deixou algo muito mais difícil para sua afilhada política. Caros leitores, presenciamos agora um segundo momento em que é essencial a entrada do Estado por outras vias. Não defendo a erradicação do Bolsa Família, mas sim o fim progressivo e moderado deste. O Estado precisa entrar agora de outra forma, de uma maneira menos populista e mais racional. Precisa garantir emprego e educação nessas áreas e é isso que mais preocupa. O Bolsa Família pode ser um jogo tão necessário à prosperidade política que pode se tornar um caminho sem volta. E é aí que mora o perigo.

Estamos em uma transição. Enquanto no governo passado, os gastos foram elevadíssimos e o Estado inflou, neste governo vemos justamente o contrário. Adotando uma postura neoliberal a presidenta Dilma promete enxugar o Estado e conter os gastos em diversas áreas. O montante das universidades foi alterado, dos transportes e saneamento, enquanto que a previsão é que os recursos destinados ao bolsa família aumente. Fica claro que o jogo político se torna mais uma vez ameaçador ao desenvolvimento do país e de sua condição de deixar de ser um mero emergente.

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