Na economia, algo semelhante ocorre. Assim como na vida, o capitalismo é regido por crises. Inevitavelmente, uma hora, qualquer país do mundo vai passar por uma crise. Não estou falando isso porque estamos vivendo um momento desse porte em várias potências mundiais. Na verdade, essa propensão a crises não é uma constatação de minha autoria, pelo contrário, vários economistas já a fizeram. Nada mais justo do que nos momentos de intenso desenvolvimento econômico, acumular capital necessário para suportar a crise e torna-la branda. É papel da China, por exemplo, agora que está vivendo um constante desenvolvimento, investir em tecnologia e em políticas públicas, para que no momento ruim que virá, inegavelmente, a população não sofra tanto com a fome e a miséria. Afinal, quem paga o pecado de quem provoca a crise, é sempre a população. Esses aspectos são inerentes ao capitalismo, o que há de ser feito é torna-los menos intenso.
No caso do Brasil, processo semelhante ocorreu na crise de 2008. A tal “marolinha”, expressão usada pelo carismático ex-presidente, poderia ser um tsunami. Só não foi porque o Brasil tinha passado por um bom momento e acumulou capital necessário para suportar uma crise de grandes dimensões. O abalo foi brando, e o governo adotou medidas que incentivassem o consumo, como a redução da taxa de juros, o que facilitou a rápida saída da crise. Os indicadores econômicos assustaram no 4º trimestre de 2008, porém no 3º trimestre de 2009 já estavam praticamente recuperados.
O bom momento requer alguns cuidados, para não formar uma bolha. No Brasil, a compra de royalties de petróleo tem se tornado cada vez mais intensa, com a descoberta do pré-sal. Cabe agora redirecionar esses investimentos para políticas públicas que incentivem a tecnologia e a educação, o que não está sendo feito de modo proporcional aos investimentos do exterior. E quando vier a próxima crise, tais políticas tem que ter surgido efeito, para que o tsunami não acerte em cheio as terras tupiniquins.
