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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ei ke ambição


Eike Fuhrken Batiista é o 8º homem mais rico do mundo, detentor de empresas multimilionárias que cresceram de forma mais intensa no governo Lula e continuam a crescer no governo atual. Eike é ambicioso a ponto de querer ser o homem mais rico do mundo, acompanhado pelo crescimento brasileiro. O nome das suas empresas reflete essa realidade, sempre com a letra “X” no final que remete à multiplicação, acúmulo de riquezas. E o prazo estipulado, por ele mesmo, para ser o cara do cenário mundial é curto, algo em torno de 5 anos.
 
Alguns dizem que tudo que ele investe prospera e torna-se marcável no cenário brasileiro e mundial. Isso porque ele respeita alguns princípios básicos do investimento: o estudo intenso do ramo a ser investido e a diversificação de investimentos. Eike tem empresas em diversos ramos, dentre eles a mineração, logística, produção de óleo e gás natural, etc. Todas as empresas fazem parte do grupo EBX e são mais concentradas no Brasil, mas possuem escritórios em outros países da América latina como Chile e Colômbia, e o Canadá. Isso é diversificar investimentos. Ele nunca será tão afetado caso um determinado setor esteja em baixa.
 
Aqui no Brasil, um movimento no mínimo inusitado vem ocorrendo. Em vez de admiração por ser um homem de visão, estar no topo por méritos e enriquecer licitamente, até que se prove o contrário, o que percebo é algo como uma repulsão a tudo que ele possui, pelo menos em sua grande maioria das pessoas. O brasileiro elege políticos que enriqueceram ilicitamente, com patrimônio não compatível com a sua renda, e reclamam da ambição do Eike, que investe majoritariamente no Brasil e, portanto, gera milhões de empregos. Antes de tudo, eu não boto a minha mão no fogo por ele, não tenho informações concretas se ele realmente enriqueceu licitamente ou não, mas estou usando o caso dele para ilustrar tal repulsão. Não parece justo culpar a ambição de um homem, afinal, como o eterno pai da economia dizia, por mais egoísta que ela seja, seus investimentos vão sempre prover o bem para a nação.

Agora quanto à ambição exacerbada, isso pode ser um problema, e dos grandes. Quem viu o brilhante filme do Sérgio Resende, Mauá - o imperador e o rei, ou conhece a história de Mauá, sabe do que eu estou falando. Guardada as suas devidas proporções de capital e de conjuntura histórica, os dois são bem semelhantes, principalmente na ambição. Quando você está no topo, todos estão com você e fingem ser próximos, quando na verdade não o são. O verdadeiro businessman  deve saber distinguir aqueles que podem depositar sua confiança e aqueles que não o podem. Mauá foi pioneiro de um desenvolvimento industrial inédito no Brasil, e conseguiu sobreviver sem o apoio do imperador por um tempo, mas quando precisou de sua ajuda na dificuldade foi deixado ao relento. Seu maior pecado foi investir em áreas em que não possuía um conhecimento mínimo requerido, principalmente no exterior. Investir maciçamente no exterior é sempre um risco, já que o conhecimento prévio das propriedades do investimento dificilmente vai ser comparável ao investimento local.

Sinceramente, não acredito que Eike será o homem mais rico do mundo, pelo menos não no curto prazo. O desenvolvimento do grupo EBX está muito atrelado ao crescimento do Brasil, que vem reduzindo o ritmo no governo Dilma. Mas eu o respeito profundamente por ser um homem de visão, assim como Mauá, e são pessoas como eles que tentam mudar o rumo de um país que está a décadas fadado ao sucesso, mas nunca chega lá.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Impacto inevitável

Hoje pensei em uma analogia interessante. Estava pensando nos momentos da vida que parecem mais uma montanha-russa com seus altos e baixos regidos por um carrinho trêmulo e inconstante.  A vida é assim, há momentos em que você está no topo do mundo, todos querem falar com você, você se sente uma pessoa especial. Porém há outros em que a rotina não parece mais tão divertida e você se sente cansado do que está a sua volta. O que as pessoas sensatas fazem é acumular momentos de alegria e viver intensamente essas fases, pois elas não são eternas. Esse acúmulo é importante para que nos momentos em que sua vida pareça não tão boa, você tenha vários momentos felizes para se lembrar. Isso acontece com todo mundo, quer queira ou não. O que varia de pessoas para pessoa é a duração dessas fases. Fim do momento Paulo Coelho.

Na economia, algo semelhante ocorre. Assim como na vida, o capitalismo é regido por crises. Inevitavelmente, uma hora, qualquer país do mundo vai passar por uma crise. Não estou falando isso porque estamos vivendo um momento desse porte em várias potências mundiais. Na verdade, essa propensão a crises não é uma constatação de minha autoria, pelo contrário, vários economistas já a fizeram. Nada mais justo do que nos momentos de intenso desenvolvimento econômico, acumular capital necessário para suportar a crise e torna-la branda. É papel da China, por exemplo, agora que está vivendo um constante desenvolvimento, investir em tecnologia e em políticas públicas, para que no momento ruim que virá, inegavelmente, a população não sofra tanto com a fome e a miséria. Afinal, quem paga o pecado de quem provoca a crise, é sempre a população. Esses aspectos são inerentes ao capitalismo, o que há de ser feito é torna-los menos intenso.

No caso do Brasil, processo semelhante ocorreu na crise de 2008. A tal “marolinha”, expressão usada pelo carismático ex-presidente, poderia ser um tsunami. Só não foi porque o Brasil tinha passado por um bom momento e acumulou capital necessário para suportar uma crise de grandes dimensões. O abalo foi brando, e o governo adotou medidas que incentivassem o consumo, como a redução da taxa de juros, o que facilitou a rápida saída da crise. Os indicadores econômicos assustaram no 4º trimestre de 2008, porém no 3º trimestre de 2009 já estavam praticamente recuperados.

O bom momento requer alguns cuidados, para não formar uma bolha. No Brasil, a compra de royalties de petróleo tem se tornado cada vez mais intensa, com a descoberta do pré-sal. Cabe agora redirecionar esses investimentos para políticas públicas que incentivem a tecnologia e a educação, o que não está sendo feito de modo proporcional aos investimentos do exterior. E quando vier a próxima crise, tais políticas tem que ter surgido efeito, para que o tsunami não acerte em cheio as terras tupiniquins.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Transição necessária


Em 2002, quando Lula chegou ao poder presidencial, foi amplamente criticado por implantar o Bolsa Família, programa que atende mais de 12 milhões de famílias em todo território nacional atualmente e objetiva ajudar famílias necessitadas em todo o país, principalmente no eixo norte-nordeste. O ex-presidente garantiu muitos votos necessários a sua reeleição em 2006 e que foram essenciais para a popularidade jamais vista. No âmbito político a oposição que tanto criticou o programa no seu surgimento, começou a apoia-lo veemente de forma que o PSDB começou a acusar o programa de pouca abrangência nacional. É lógico que o candidato tucano percebeu que as suas chances de ganhar a última eleição presidencial não eram louváveis e tornaria o processo ainda mais difícil se não apoiasse o Bolsa Família.

Após o embate político, temos que perceber o que é melhor para o futuro do país, sem aquele discurso elitista de que o auxílio dado pelo governo é uma miséria, uma esmola. De fato, é muito pouco, mas para quem estava abaixo da linha da pobreza, sem nada para comer, o pouco pode ser essencial. E aquele discurso de que muitas famílias deixam de trabalhar para ganhar o dinheiro do programa se contradiz com o discurso anterior. Ora, se é muito pouco e não dá sequer para se alimentar, que pessoas são essas que preferem o ócio à família com o mínimo necessário para a sobrevivência? A verdade é que na maioria dos casos, o desemprego afeta essas famílias e o Estado entra com uma singela ajuda. Mas até quando?

Após o fim do governo Lula, os índices de pobreza abaixaram consistentemente e nada mais justo do que dar crédito ao programa tão criticado. Ele foi necessário em um primeiro momento como uma medida urgente. Passado esse momento, é visível que o ex-presidente deixou algo muito mais difícil para sua afilhada política. Caros leitores, presenciamos agora um segundo momento em que é essencial a entrada do Estado por outras vias. Não defendo a erradicação do Bolsa Família, mas sim o fim progressivo e moderado deste. O Estado precisa entrar agora de outra forma, de uma maneira menos populista e mais racional. Precisa garantir emprego e educação nessas áreas e é isso que mais preocupa. O Bolsa Família pode ser um jogo tão necessário à prosperidade política que pode se tornar um caminho sem volta. E é aí que mora o perigo.

Estamos em uma transição. Enquanto no governo passado, os gastos foram elevadíssimos e o Estado inflou, neste governo vemos justamente o contrário. Adotando uma postura neoliberal a presidenta Dilma promete enxugar o Estado e conter os gastos em diversas áreas. O montante das universidades foi alterado, dos transportes e saneamento, enquanto que a previsão é que os recursos destinados ao bolsa família aumente. Fica claro que o jogo político se torna mais uma vez ameaçador ao desenvolvimento do país e de sua condição de deixar de ser um mero emergente.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Novos caminhos


É visível que o primordial para o desenvolvimento de um país é a disponibilidade energética. O Brasil, apesar de estar um pouco aquém de uma situação de tranquilidade, tem melhorado muito nos últimos anos. No governo FHC, houve panes e racionamentos de energia e a situação começou a ficar catastrófica. Já no governo Lula, embora a demanda energética tenha sido bem maior, devido a crescente atividade industrial e ao maior consumo da população de baixa renda, não houve problemas como os encontrados anteriormente.

Atualmente, fala-se muito em energia sustentável, baseada na atual onda de conservação ambiental. Com isso a energia hidrelétrica e eólica estão em alta e antigas fontes de energia bastante utilizadas como o carvão vão sendo deixadas de lado. Nada disso parece ser muito diferente do que a mídia em geral propaga veemente. Mas como o nosso foco é totalmente diferente do usual, vamos falar de algo que os políticos tentam ocultar: A energia nuclear.

O Brasil possui atualmente duas usinas nucleares localizadas próximas à cidade de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro e uma em construção. Intituladas Angra 1, 2 e 3, elas provocam muita polêmica e comentários não muito pertinentes. O desastre de Chernobyl provoca arrepios em muita gente e por esse motivo alguns céticos defendem até a morte a não utilização dessa energia. Outros alegam ainda que esse potencial seria aproveitado na construção de uma bomba atômica.

Agora a explicação: Chernobyl possuía tecnologia infinitamente inferior a encontrada atualmente. As usinas de Angra são periodicamente revisadas, porém realmente o risco sempre vai existir. É tarefa da agência reguladora tornar esse risco o mínimo possível, até porque as usinas ficam entre as duas principais metrópoles brasileiras. Quanto à utilização na construção de uma bomba atômica, o urânio nesta é muito mais enriquecido que na utilização energética e seria necessário investimentos diferentes para a construção de uma bomba. Mas definitivamente o maior problema dessa matriz energética são os dejetos formados. Os lixos radioativos são em sua maioria armazenados e deixados de lado, com os devidos cuidados. No Brasil ainda não há reciclagem, afinal ainda estamos engatinhando nesse tipo de matriz, se comparado com os EUA ou à França.

ONGs que pretendem proteger o meio ambiente são, em sua maioria contra a energia nuclear, principalmente por conta desses dejetos. O Greenpeace, por exemplo, vive fazendo protestos e estimula milhões de pessoas a pensar o mesmo sem se comprometer em entender o funcionamento. O lixo atômico produzido pode ser armazenado em espaços relativamente pequenos e não possui danos ao meio ambiente, tais como outras fontes de energia. A hidrelétrica precisa inundar uma região imensa e altera todo um ciclo biológico da região. Já a eólica não é tão rentável e necessita do vento que nem sempre está disponível. A energia solar nem se fala, afinal é muito pouco rentável.

No âmbito político, a geração de energia é sempre um ponto de destaque. Quem acompanhou os debates eleitorais pode perceber que esse assunto é sempre tocado e comparações entre os governos do PT e do PSDB são sempre mensuradas. Mas longe disso, a energia nuclear é despercebida na política e todos os projetos que a privilegiam são criados a sete chaves. A única candidata que se declarou contra esse tipo de energia foi a Marina e mesmo assim de modo silencioso. O que sabemos é que o governo Lula foi importante nesse setor, já que efetivou a construção de Angra 3, mesmo que de modo lento e gradual.

O ponto que é alarmante é o quanto o Brasil produz pouca energia nuclear se comparado com as grandes potências globais. É visível que nós temos muito potencial para outras fontes de energia até mais rentáveis, mas opção nunca é demais. Afinal, se houver uma seca e afetar a produção de energia para onde vamos apelar? E se os ventos forem escassos e não derem conta da crescente demanda? Desse modo, o primordial é a maior atenção política para esse setor e o maior interesse da população em conhecer seus benefícios e malefícios. Afinal, nem sempre o Greenpeace está com a razão.

sábado, 17 de julho de 2010

Nosso enfoque é desfocar

O primeiro post de muitos, assim espero. O objetivo do "Fora do foco" é justamente apresentar uma nova perspectiva das notícias e dar destaque ao que merece ser destacado. As notícias aqui não serão apresentadas como nos principais jornais do país, que são domindados por uma linha política semelhante.
Uma apresentação breve: Sou estudante, curso o 3º ano do ensino médio e pretendo prestar vestibular para economia.
Nos vemos em breve!